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Tributário

Contratos longos precisam olhar para a reforma do consumo

A transição do novo sistema acontece ao longo de vários anos. Quem assina hoje um contrato de longo prazo já está decidindo sobre ela.

Eduardo Valadares · Agosto de 2026 · 6 min de leitura

A reforma da tributação sobre o consumo costuma ser discutida como um tema do futuro. Para contratos de longo prazo, ela já é um tema do presente: um fornecimento assinado hoje pode atravessar boa parte da transição entre os dois sistemas.

Onde está o risco

Muitos contratos definem preços com base em uma carga tributária que deixará de existir, ou trazem cláusulas genéricas de reequilíbrio que não dizem o que acontece quando os tributos mudam de natureza, e não apenas de valor.

Sem uma regra clara, a discussão sobre quem absorve a diferença tende a ocorrer exatamente quando a margem de uma das partes estiver mais pressionada.

O que revisar agora

Vale começar pelos contratos mais longos e de maior valor. Para cada um, convém responder a três perguntas: o preço é com ou sem tributos? Existe regra específica para mudanças no sistema tributário? E há um procedimento para rever os valores, com prazo e critério?

Esse exercício não exige prever todos os efeitos da reforma. Exige apenas decidir, com antecedência, como as partes vão tratar aquilo que ainda não se sabe.

Notas

  1. A Emenda Constitucional nº 132/2023 instituiu o IBS e a CBS. A transição está prevista para o período de 2026 a 2033, com regulamentação complementar. Confirme sempre a norma vigente na data da análise.